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quarta-feira, 9 de março de 2011

O descaso pelas Forças Armadas

Por Luiz Eduardo Rocha Paiva
A onda dos movimentos por liberdade nos países do Norte da África e do Oriente Médio deve ser analisada em seus reflexos na disputa entre as potências por espaços e poder, cenário permanente nas relações internacionais, que também abrange outras importantes questões conflituosas.
Os estudos de temas dessa natureza realizados no Brasil refletem ideias de renomados estrategistas europeus, norte-americanos e asiáticos quanto aos impactos no jogo entre as grandes potências, mas não apontam possíveis consequências no campo militar, para o Brasil, restringindo-se aos reflexos nas expressões política e econômica. O desfecho dos movimentos no mundo islâmico terá consequências, cujo significado para a defesa nacional dependerá do saldo ou do déficit de poder dos EUA naquela região.
O quadro atual dos conflitos no mundo revela a volta da onda, que emergiu da II Guerra Mundial e levou os EUA à hegemonia global. Ela começa a recuar pressionada por novos atores poderosos, alguns deles velada ou ostensivamente antagônicos aos EUA e com os quais este último terá de compartilhar espaços e poder.
Ao final da primeira década do século XXI, ficou evidente que os EUA já não podiam impor a um custo suportável, isolada e rapidamente seus interesses em todo mundo, condição que desfrutaram por duas décadas após a queda da União Soviética. Os EUA também encontram dificuldade crescente para empregar a OTAN em ações globais, seja pela falta de consenso quanto às ameaças seja pela impossibilidade econômica de seus aliados sustentarem operações militares distantes e de grande envergadura.
Há, ainda, a ascensão da China e sua projeção em todos os continentes, limitando progressivamente a liberdade de ação da outrora potência hegemônica. Portanto, a capacidade político-militar norte-americana de assegurar o acesso a regiões com relevante posição geoestratégica e detentoras de recursos vitais, situadas “do lado de lá do mundo”, como o Oriente Médio, a África e a Ásia Central, vai sendo reduzida.
Assim, aumentará a necessidade dos EUA garantirem o acesso a regiões “do lado de cá do mundo” com aqueles atrativos, leia-se América do Sul e Atlântico Sul, para o que empregarão seu poder militar se for preciso. Ao mesmo tempo, interessa-lhes limitar a projeção e influência de potências extra-regionais que possam tolher sua liberdade de ação nas áreas mencionadas.
Hoje, espaços dessas regiões de tradicional influência norte-americana já estão sendo disputados pela China e, em sua esteira, virão a Rússia e a Índia. Como reagirão os EUA, altamente dependentes de recursos naturais, ante a presença de poderosos rivais cada vez mais próximos de seu território, experiência vivida apenas em 1962 na crise dos mísseis da então URSS em Cuba?
O mundo não é o mesmo e as estratégias não serão as mesmas, mas os EUA não ficarão de braços cruzados. Em sua expansão, a China ocupa espaços também cobiçados pelo Brasil, inclusive em áreas da cooperação militar, pois nossa indigência bélica, fruto do descaso de sucessivos governos, não nos deixa muito a oferecer. Perdem-se excelentes oportunidades para gerar empregos, receita comercial e desenvolvimento industrial e científico-tecnológico e consolidar vínculos com a América do Sul e a África.
Entre a águia e o dragão está o Brasil com sua aspiração pela liderança regional e seus interesses no Atlântico Sul. A disputa de poder no entorno estratégico brasileiro deveria ter motivado providências, há muito tempo, antes de o cenário de risco estar delineado de maneira tão clara. Política exterior engloba diplomacia e defesa e estes setores do Estado não podem esperar uma ameaça passar de possível a provável para então buscar os meios de neutralizá-la.
Defesa não se improvisa! Um forte poder militar confere maior robustez à política exterior, atrai alianças, dissuade ameaças e desagrava afrontas. Para alcançar tal status o governo deveria ter vontade política de queimar etapas, priorizando e fixando o investimento em defesa, e coragem para enfrentar desafios.
O Brasil amargará a perda de oportunidades e patrimônio, no campo material, e de auto-estima e dignidade, no imaterial, pois será incapaz de reagir a pressões político-militares alienígenas, se não estiver no nível das maiores potências militares no lapso de uma década. A globalização, o desenvolvimento nacional e a projeção internacional colocaram o País, outrora periférico, no eixo dos conflitos entre as potências.
As Forças Armadas (FA) procuraram, em vão, sensibilizar a liderança nacional sobre a importância de fortalecer o poder militar. A resposta foi o descaso hoje camuflado por um discurso inconsequente, pois de prático pouco se faz, e tardio, pela incerteza quanto à possibilidade de recuperar o tempo perdido.
Em 2011, mais uma vez, postergou-se a aquisição de aviões de caça para a Força Aérea, que se arrasta há mais de uma década, e houve um forte contingenciamento no orçamento de defesa, com prejuízo do desenvolvimento do submarino nuclear e de projetos do Exército.
A relevância das FA para a liderança nacional resume-se a missões de paz, apoio às obras do PAC e participação na segurança pública e defesa civil, ou seja, no que é marketing para o governo. Há um descaso com o equipamento e o preparo para a defesa da Pátria, prioridade, razão de ser e identidade de qualquer força armada.
Mas o descaso é também com a profissão e o militar como mostra a crescente defasagem salarial que rebaixa a carreira das armas em relação a outras de Estado e do serviço público. O chefe militar manifesta essas preocupações pela cadeia de comando, como é sua obrigação.
À presidente da República, comandante supremo das FA, cabe preservar a relevância dessas Instituições, obrigação moral e funcional de quem sabe que elas não abrem mão do compromisso com a Nação, o dever e a disciplina e que os instrumentos de pressão de outros segmentos da sociedade são inadmissíveis nas Forças Armadas.
Luiz Eduardo Rocha Paiva é General da Reserva

sexta-feira, 4 de março de 2011

10 mil militares em exercícios na fronteira Sul


A vigilância da fronteira do Brasil com o Uruguai, a Argentina e o Paraguai está reforçada. Até o dia 24, as Forças Armadas realizam na área a Operação Fronteira Sul II, treinamento militar que coíbe crimes fronteiriços e ambientais reais.
Ontem, 10 mil militares começaram a se deslocar para as áreas de fronteira da Região Sul. A meta é marcar presença em 2,5 mil quilômetros na linha divisória entre o Chuí (RS) e Guaíra (PR). As tropas procedem dos três Estados do Sul mais Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo.
Além do Exército, que comanda a operação, participam Marinha, Força Aérea Brasileira, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Polícia Civil e órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Receita Federal e Agência Brasileira de Inteligência.
A primeira edição da operação, realizada nos mesmos moldes da atual entre maio e junho, teria reduzido a circulação de sacoleiros brasileiros em cidades paraguaias. A área da operação compreende quase 20% da fronteira terrestre brasileira.
De acordo com o comandante Militar do Sul, general-de-exército José Elito Carvalho Siqueira, as ações serão de patrulhamento, fiscalização de produtos e treinamento de uso de armas. De forma paralela à operação, serão realizadas ações junto às comunidades, como atendimentos de saúde, emissão de documentos, recreação com crianças e trabalhos de engenharia como recuperação de estradas, pontes e cisternas.
Os países vizinhos foram informados sobre a movimentação das Forças Armadas brasileiras.
De sexta-feira a domingo, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o comandante do Exército, general-de-exército Enzo Martins Peri, devem acompanhar as atividades nos três Estados.
Fonte: Zero Hora
 

Para Jobin, fiscalização de fronteiras será feita por VANTs


Ministro, em visita à Operação Fronteira Sul II, também falou da revitalização dos blindados Urutu e Cascavel do Paraguai e das questões diplomáticas com o país vizinho

Foz do Iguaçu (PR) 17/10/2008 – O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse nessa sexta-feira que o Brasil trabalhará para desenvolver e produzir Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) para, principalmente, fiscalizar suas fronteiras.
“O monitoramento das fronteiras necessariamente terá de ser feitos por VANTs”, afirmou Jobim, no primeiro dia de sua visita à Operação Fronteira Sul II, que envolve dez mil homens das Forças Armadas, além de agentes da Polícia Federal, das polícias estaduais e de fiscais da Secretaria da Receita Federal, em ação para combater os crimes transfronteiriços e ambientais.
“Isso tem um efeito dissuasório muito forte” avaliou o ministro, ao ressaltar a necessidade de integrar cada vez mais as forças e os demais órgãos fiscalizadores. Diante de questionamentos de jornalistas sobre a possibilidade de o Exército se tornar permanente nesse tipo de operação, ele esclareceu que não possível manter dez mil homens mobilizados na atividade. Argumentou que a tarefa policial é atribuição principalmente da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal, embora o Exército tenha poder de polícia na faixa de fronteira.
“Essa é função da PF e da Receita, mas já deixamos claro que, no momento em que eles organizarem qualquer tipo de ação, estaremos disponíveis para fazermos assessoria e o apoio com tropas, que poderão se deslocar para cá rapidamente”, observou.
Jobim afastou qualquer relação entre a Operação, que está sendo coordenada pelo Comandante Militar do Sul, General-de-Exército José Elito Carvalho Siqueira, e fatos recentes ocorridos na fronteira do Paraguai, como a ameaça de invasão de terras de brasileiros instalados naquele país, os chamados brasiguaios.
Segundo o ministro, essa é questão meramente diplomática. Para ele, a expectativa do Brasil é de que as autoridades paraguaias adotem as providências em relação ao problema. “Os brasileiros que estão no Paraguai estão sujeitos à legislação paraguaia e o Brasil não tem capacidade de intervir nisso. Claro que, evidentemente, pode haver intermediação diplomática ou conversas diplomáticas, ações de natureza diplomática, de colaboração, agora não existe nenhuma função das Forças Armadas para isso”, disse Jobim. O ministro rechaçou também qualquer interpretação de que a operação poderia ser operação de força para com o país vizinho. O ministro informou que essa operação já foi feita anteriormente, e as autoridades paraguaias foram informadas da programação com antecedência.
“Não há absolutamente nada disso, tanto que o Brasil está fazendo reformas em blindados paraguaios – Urutus e Cascavéis – no Batalhão de Logística de Dourados, a custo zero para o Paraguai, o que mostra integração que temos”, disse o ministro. No dia de hoje, o ministro, acompanhado do comandante do Exército, General Enzo Martins Peri, e da comitiva, acompanhou o trabalho dos fiscais e militares em Postos de Repressão a Ilícitos de Fronteira (Parifron), em Guaíra, Paraná, e assistiu aos exercícios de tiro com munição real efetuados por patrulha fluvial e por um helicópetero do Exército. No início da noite, a comitiva embarcou para Uruguaiana, onde acompanhará a operação nesse sábado.
Fotos de cima e do meio: site da Operação Fronteira Sul II
Foto de baixo: um dos VANTs sendo desenvolvidos no Brasil é o FS-01 Watchdog da Flight Solutions, desde 2007 realizando integração final e ensaios de vôo. Fotomontagem a partir de cenas de vídeo encontrado no site da empresa.